QUANDO um dos mestres do
documentário biográfico decide filmar sobre um fotógrafo, pode tornar-se
difícil ultrapassar a imensidão das imagens. Ambos, Salgado e Wenders, sabem delas:
da composição ao contraste. Mas em "O Sal da Terra" explica-se também
o que há para além delas, para além do olho que, por detrás da câmara, abraça a
realidade. A profunda transformação do observador e do observado. O testemunho
e o nascimento de uma trágica esperança num mundo que é afinal possível de ser
salvo.
O realizador Wim
Wenders começa o seu filme "O Sal Da Terra" com a fotografia que lhe
despertou a curiosidade sobre Sebastião Salgado: o retrato de uma indonésia
cega, que o realizador diz capaz de o fazer “chorar de cada vez que olha para
ela”.
A fotografia faz
parte de uma série que acabaria por afirmar Salgado como um dos mais peculiares
foto-documentaristas do nosso tempo: “Trabalhadores Rurais”, que produziu entre
1986 e 1992. Uma série de fotografias captadas em todo o mundo que partilham o
mesmo objecto: homens e mulheres nas suas atividades laborais.
"Mais do que nunca, sinto que a raça humana é
somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os
sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras
para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em
terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas.”
É assim que Salgado introduz o novo projeto: Êxodos. Sobre
a migração em massa de refugiados. Determinado a mostrar ao mundo, aquilo que
se ignora e se teme, Salgado percorre o Norte de África, testemunha a fome, o
medo, a miséria. Desenvolve em cada viagem, uma visão negativa e pouco
esperançosa sobre o mundo, cada vez mais desgovernado e cruel.





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