por Luís Nassif
O maior fenômeno de anti-jornalismo
dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente,
o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim (jornaleco) sem
compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra
quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando
que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto
jornalístico.
Para entender o que se passou com a
revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças.
O primeiro conjunto são as mudanças
estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo.
O segundo, a maneira como esses
processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas
empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena
política e econômica na última década.
A terceira, as características
específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos
últimos anos.
De um lado há fenômenos gerais que
modificaram profundamente a imprensa mundial nos últimos anos. A linguagem
ofensiva, chula, herança dos “neocons” americanos, foi adotada por parte da
imprensa brasileira como se fosse a última moda.
Durante todos os anos 90, Veja havia
desenvolvido um estilo jornalístico onde campeavam alusões a defeitos
físicos, agressões e manipulação de declarações de fonte.
Um segundo fenômeno desse período foi
a identificação de uma profunda antipatia da chamada classe média mídiatica em
relação ao governo Lula, fruto dos escândalos do “mensalão” que nunca foi provado,
do deslumbramento inicial dos petistas que ascenderam ao poder, agravado por um
forte preconceito de classe. Esse sentimento combinava com a catarse
proporcionada pelo estilo “neocon”. Outros colunistas utilizaram com “talento”
– como Arnaldo Jabor -, nenhum com a fúria grosseira com que Veja enveredou
pelos novos caminhos jornalísticos.
O jornalismo e os negócios
Outro fenômeno recorrente – esse
ainda nos anos 90 -- foi o da terceirização das denúncias e o
uso de notas como ferramenta para disputas empresariais e jurídicas.
A marketinização da
notícia, a falta de estrutura e de talento para a reportagem tornaram
muitos jornalistas meros receptadores de dossiês preparados por lobistas. (Continua).

Nenhum comentário:
Postar um comentário