NASCIDO em Madrid, em 10 de
Dezembro de 1923, Semprún era neto do político conservador António Maura, que
foi presidente do Governo sob o reinado de Alfonso XIII. Quando eclodiu a
Guerra Civil Espanhola, Jorge Semprún e os irmãos foram para Haia onde o seu
pai era embaixador da República Espanhola junto dos Países Baixos. Tempos
narrados em “Adeus, luz de verões”. Após a vitória de Francisco Franco, a
família instala-se em Paris. Com a ocupação nazi da Europa, Semprún adere à
resistência e, em 1942, integra o PCE. Pouco tempo depois, é preso e deportado
para o campo de concentração de Buchenwald, onde permanece dois anos até ao fim
da II Guerra Mundial.
“DESAPARECERAM as testemunhas do extermínio, ainda há mais velhos que eu, mas não são escritores”, dizia, em 2000, numa entrevista. E recordava o odor a carne queimada. “Esse cheiro vai-se comigo como se foi com os outros”, dizia. Tentou que assim não fosse. Escreveu. Entre outros, “Viverei com o seu nome”. Em 11 de Abril de 2010, no 65º aniversário da libertação do campo de Buchenwald, fez a última visita ao campo de onde saiu vivo por milagre. Ou astúcia. Em vez de declarar ser estudante, afirmou ser estoquista.

Nenhum comentário:
Postar um comentário